domingo, agosto 10, 2014


O que eu aprendi com meu Pai

Lembrando agora do meu velhinho... me lembro de ensinamentos para uma vida baseada mais na razão do que na emoção.
Meu pai... sempre foi muito prático e quando eu era pequena... eu  lembro de como ele cuidava e zelava por mim quando eu não podia fazer isso sozinha.
Apesar de não demonstrar tanto afeto com gestos como beijos e abraços calorosos como minha mãe...Dona Joana. Ele por outro lado, sempre prezou por nos dar o melhor estudo, a melhor moradia e os preceitos básicos de civilidade de um ser humano honrado e justo.

Meu pai, depois de um tempo de maturidade...  virou meu confidente. Tive alguns anos da minha vida que eu quis contar pra ele o quando ele me fez falta quando se separou de minha mãe. O quanto senti raiva de tudo aquilo. O quanto me sentia injustiçada com tantas coisas impostas ao mesmo tempo para nós...filhos.
Depois de toda essa turbulência em que passamos. Sei que hoje, apesar da distância kilometrica em que vivemos, o fato dele me ouvir, me escutar... me dar bons conselhos e me incentivar a praticar o bem...supre toda falta que eu tive por alguns anos.

Hoje eu agradeço a Deus por poder ter um pai para ligar quando me sinto péssima...ou quando preciso de um ouvinte...um ouvinte que me diz: Filha, não chore. Tudo vai dar certo. Deus e eu estamos do seu lado!! E como é bom ouvir isso!! Como é bom saber que existe alguém que nos ama apesar de tudo. Apesar de todos os nossos defeitos e imperfeições.
E eu me lembro que eu sempre chorava em todas as suas viagens. Eu sempre me despedia dele no portão...sempre esperava que ele voltasse pra nossa casa.

Eu aprendi a ser forte com meu pai. Por causa de sua história de vida.
Ele veio de uma infância pobre...não teve berço de ouro. E tudo que ele conseguiu hoje é fruto de muito trabalho. Fruto de muito estudo e fruto ainda, de muito amor e perseverança. Ele é meu espelho. Sua garra, sua força e sua inteligência, deveriam ser copiados e tudo isso é inspiração para mim.
Ah...meu paizinho, se eu pudesse te dar todas as alegrias do mundo... Se eu pudesse realizar todos os seus sonhos... curar suas frustrações de pai. Eu o faria. Então...eu tento! Eu tento dando o melhor de mim. Te dando meu amor verdadeiro e puro. Sendo uma mulher verdadeira. Sendo uma mulher guerreira e forte. Por que nós sabemos tudo que nós passamos e o mais importante,  tudo que nós conseguimos  superar!
Quando você me levou até o altar, saiba que foi muito importante pra mim o seu braço para eu caminhar naquele momento. Seu rostinho me olhando descer as escadas, jamais esquecerei.

Eu olho pra minha foto de bonezinho vermelho e lembro do seu cuidado comigo. E me sinto feliz por isso. 

Obrigada paizinho.
Obrigada por me fazer sentir especial mesmo quando eu me sinto tão sozinha.
Obrigada por não me julgar por meus defeitos...que são tantos... e nem me cobrar resultados. Obrigada por rezar por mim... por lembrar de mim...quando nem eu mesma lembro de mim mesma.
Obrigada pelo seu silêncio que tanto me diz.

Eu te amo.

domingo, junho 22, 2014





"Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas.
 Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. 
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: 'tens medo'. 
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
 Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. 
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. 
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer:'pelo menos não fui tolo' e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.
 Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia."


Clarice hoje fala por mim. Um brinde a todas as impossibilidades da vida....


Clarice Lispector in Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres